sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Reforma curricular que se adivinha

No 2º ciclo
Porque deixar de haver a opção de língua estrangeira no 2º ciclo quando estamos inseridos numa europa que se diz globalizante, não se entende porque razão se limita aos alunos a frequência do  inglês, quando existem outras línguas como por exemplo o francês e espanhol tão importantes no contexto  em que estamos inseridos. Os alunos têm inglês desde o 1º ciclo nas AEC, não seria preferível existir uma opção neste ponto? Ou então terminar com o inglês no 1º ciclo e substituí-lo  por outras  áreas , como por exemplo mais desporto ou expressão artística.
Se o apoio ao estudo passa a ser facultativo com uma carga horária de 5 horas e se a escola entender não oferecer essas possibilidade ao aluno, o que se fazem a essas horas? Eu sugiro que esse apoio seja de 3 horas, ficando 2 para mais uma língua, que no meu entender é fundamental para a inserção do aluno na sua cidadania. Ou então dá-las aos diretores de turma, que de certo as aproveitarão da melhor forma possível, só quem não vive a escola é que desconhece o trabalho e/ou carga horária que um diretor de turma tem para além das que oficialmente lhe são atribuídas. É de lamentar que a área de formação cívica tenha deixado de ser importante de um dia para o outro.
No 3º ciclo
No 9º ano e na área de educação artística não se percebe porque se corta a possibilidade ao aluno de optar por uma das áreas artísticas que a escola lhe oferecia como acontecia até aqui. Para quê ter ET e oferta de escola no 7º e no 8º se no 9º não há a possibilidade do aluno continuar numa dessas áreas? Qual a razão de obrigatoriedade da permanência de educação visual, se o aluno demonstrar  mais capacidades noutras áreas artísticas? Se ele pretender seguir uma carreira profissional onde a área tecnológica ou artística (como por ex. música, ou teatro) lhe interessa, com esta reforma ele não tem a opção de escolha e de se dedicar ao que realmente lhe importa ou onde revela mais competências. Para quê a aposta nas competências e habilidades artísticas de um aluno quando no final do 3º ciclo o que lhe vai contar é a EV como obrigatoriedade? Deem aos alunos a possibilidade de escolherem o seu interesse artístico, pois um país não se desenvolve só de competências científicas, mas também (e acima de tudo) pelas artísticas. Estas são fundamentais no desenvolvimento do ser humano, e ainda mais no desenvolvimento dos nossos jovens, e há estudos científicos que o comprovam (como de certo os Senhores devem conhecer). Se não for a escola a dar aos alunos a cultura artística, que outra entidade o poderá fazer? As famílias, que estão cada vez mais endividadas e não podem oferecer aos seus jovens concertos, bailados, teatros ou mesmo cd´s originais? (entre outros que eu aqui poderia descriminar). É a escola através dos seus PROFESSORES das áreas tecnológicas e das áreas de oferta de escola que na maior parte das vezes consegue fazer chegar aos alunos a cultura do seu país, e de todos os outros. São estes mesmos professores que despertam neles muitas das competências que às vezes nem sabiam que tinham mas descobrem que afinal poderão ser bons na área artística, que não somente a EV. Nem todos fomos feitos para ser arquitetos ou exercer outra profissão que tenha como base a EV. Pensem nisto, falem com os alunos, visitem as escolas e o que de melhor se fazem nelas, o que realmente pensam os alunos sobre esta nova reforma curricular. E para terminar deixo-vos uma pergunta: o que vos marcou artisticamente enquanto alunos? Acredito que tenha sido a tabuada cantada e os pontos de fuga coloridos!!!
A Professora da disciplina de música, 16 de Dezembro de 2011

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